O Nascimento de um novo Sistema Solar em tempo real
- multiversobycassi

- 14 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Máquina do Tempo Cósmica: Astrônomos Capturam Imagem Inédita do Nascimento de um Sistema Solar em Tempo Real.

Pela primeira vez na história da astronomia, cientistas testemunharam o momento exato em que um sistema solar começa a se formar. Este feito, que equivale a observar o "parto" de um novo conjunto de planetas, promete revolucionar nossa compreensão sobre a origem e a evolução do nosso próprio Sistema Solar, que se formou há 4,6 bilhões de anos.
A descoberta foi realizada a uma distância de aproximadamente 1.300 anos-luz da Terra, em torno da estrela recém-nascida HOPS-315. O que os astrônomos flagraram é o instante inicial no qual as partículas de gás e poeira do disco circundante começam a se aglomerar, dando origem às "sementes" dos futuros planetas do novo sistema solar.
A Combinação Tecnológica Essencial de um sistema solar
O feito só foi possível graças à poderosa combinação de instrumentos de ponta:
ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array): Um conjunto de 66 radiotelescópios instalados no Deserto do Atacama, no Chile, essencial para detectar as emissões de gás e poeira fria.
Telescópio Espacial James Webb (JWST): Utilizado para complementar as observações, fornecendo dados cruciais sobre as moléculas e a química do disco.
A astrônoma Melissa McClure, da Universidade de Leiden (Países Baixos) e líder do estudo publicado na revista Nature, ressaltou a singularidade do momento: “É a primeira vez que identificamos o instante exato em que a formação de um planeta se inicia em torno de uma estrela diferente do Sol”.
A Química da Formação Planetária de um Sistema Solar
O nascimento de estrelas ocorre a partir do colapso de nuvens densas de gás e poeira. Esse colapso gera uma protoestrela, que é envolvida por um disco protoplanetário giratório – o berçário onde os planetas se desenvolvem.
Astrônomos já haviam observado inúmeros discos protoplanetários, mas sempre em fases de desenvolvimento mais avançadas. A observação de HOPS-315, no entanto, é o primeiro flagrante da fase inicial: o momento em que o gás quente começa a se converter em minerais sólidos, o material primordial para a construção de planetas rochosos.
Pistas Deixadas nos Meteoritos da Terra
Para entender o significado dessa observação, os cientistas recorreram aos meteoritos encontrados na Terra. Fragmentos desses corpos celestes guardam vestígios do nascimento do nosso sistema planetário, contendo minerais cristalinos ricos em monóxido de silício. Este composto se forma em temperaturas extremamente altas e é considerado o primeiro material sólido a surgir no Sistema Solar.
Esses minerais se uniram através da gravidade para formar os planetesimais – os blocos rochosos que eventualmente originaram os planetas terrestres (como a Terra) e os núcleos dos gigantes gasosos (como Júpiter).
Evidências no Sistema HOPS-315
As observações de HOPS-315 revelaram que o mesmo processo está em andamento. Os cientistas detectaram traços de monóxido de silício tanto em estado gasoso quanto já cristalizado, confirmando que a condensação dos minerais está ocorrendo naquele exato momento.
As imagens do ALMA indicaram ainda que essa condensação está localizada em uma região do disco que, em termos de distância de sua estrela, é análoga ao Cinturão de Asteroides do nosso Sistema Solar. Para os astrônomos, o sistema HOPS-315 é, portanto, uma verdadeira máquina do tempo, permitindo que os cientistas vejam em ação os mesmos processos químicos e físicos que moldaram o nosso próprio lar cósmico.
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